Olá.
Transcreverei um antigo texto encontrado em minha biblioteca particular advindo de um RPG Zine em um evento.O Zine se chama “Campanhas Inacabadas” e o texto abaixo visa a falar sobre o que é RPG para os que já estão familiarizados com o mesmo.
Vamos ao texto:
O que é RPG?
Se você pegou este zine e viu este titulo esperando mais uma daquelas matérias do tipo “RPG é um jogo de interpretação, mas existem regras” ou “RPG é como polícia e ladrão, mas não só para crianças” então respire aliviado: esta NÃO é mais uma matéria óbvia com colocações óbvias que se pode descobrir lendo qualquer módulo básico ou simplesmente perguntando na loja de RPG mais próxima.Aliás, se você pegou este zine esperando aprender o que é RPG então veio ao lugar errado: nós estamos falando para quem sabe o que é 2d6+10 de dano e Base Attack Bonus +4. Guarde o zine até aprender que raios é tudo isso e leia depois.
Então…?
O que eu estou perguntando no título ali em cima é: o que é RPG para você? A resposta para a maioria dos jogadors vai ser a mais óbvia: é um jogo, um passatempo, um hobby. Muito justo, mas pense comigo: dizer que RPG é um jogo é, no mínimo, uma simplificação grosseira. Afinal, um jogogeralmente implica em vencedores e perdedores, apostas, partidas com começo e fim definidos, etc, e nós sabemos que esse tipo de coisas no RPG é na melhor das hipóteses opcional (como partidas com começo e fim definidos) e na pior completamente contra o espírito (como vencedores, perdedores e apostas).Então, talvez o RPG seja um jogo naquelas… Não é bem um jogo, já um passatempo, um hobby… OK, existem passatempos que tomam tanto ou mais tempo e dedicação do que o RPG (modelismo, qualquer arte marcial, desenhar, quadrinhos) mas é difícil encontrar uma atividade classificada como hobby que tenha tanta importancia para os seus adeptos. Para jogar RPG, eu já vi muita gente mentir, matar aula, brigar com a familia e até levar uma espécie de “vida dupla”. Como muitos pais de players (eu me recuso a usar a palavra “RPGista”) simplesmente não entendem o que vem a ser o nosso jogo e/ou acham-no nocivo, não é raro ver pessoas que saem de casa dizendo: “Vou jogar pôquer com os amigos” ou mesmo “vou para a faculdade” mas na verdade estão carregando aquele conjunto de dados escondido na mochila… O que é estranho no RPG é que muitos jogadores fazem quase qualquer coisa para jogar, o que não se vê em outros hobbies. O RPG também muda a sua cabeça, quer você queira ou não. Ou vai me dizer que você nunca imaginou qual rolamento que o personagem de um filme qualquer precisaria para fazer aquilo na tela, ou quantos pontos custaria uma perícia que você está se matando de estudar para aprender? Quantos hobbies realmente mudam o seu jeito de pensar? Então, na visão de muitos pais de jogadores o RPG pode ser um vício ou um fanatismo, enquanto que para nós talvez seja um estilo de vida.
Alternativas
Não vamos esquecer que existem pessoas que foram atraídas para o RPG não pelos aspectos de jogo ou simples diversão, mas pela interpretação, pelo teatro. Muitos destes jogadores costumam jogar apenas lives, e dificilmente considerariam o RPG como um jogo. Para pessoas assim, o RPG pode ser um exercício de interpretação, um teatro de improviso, uma oficina de atuação, embora simples. Além disso, muitos encaram o RPG como uma forma de entrar nos mundos de fantasia que anteriormente só eram alcançados através de livros de livros e filmes.
Embora estes sejam excelentes modos de se contar uma história, eles são bastante unlaterais, o que significa que você é quase sempre um espectador/leitor passivo. Com o RPG, você pode interferir na história, você pode fazer a história e contar suas próprias histórias. Para muitos, jogar é a forma de se aproximar mais dos seus próprios sonhos, dos mundos, histórias e personagens que povoam a sua imaginação e podem ter definido a sua infância.
Audaciosamente indo…
Um dos aspectos mais importantes do “jogo”, na minha opinião, é a possibilidade que ele fornece de pessoas comuns se expressarem de uma forma artística/literária. Para a maior parte das pessoas, produzir um trabalho artístico ou escrever um conto ou romance está fora de suas possibilidades, seja por real falta de aptidão ou por simples “grilo” de não se considerar capaz de fazê-lo. Já com o RPG pessoas absolutamente comuns, sem nenhum talento extraordinário ou formação acadêmica podem expressar suas idéias. Um Mestre/Narrador é um escritor, ator e um diretor de cinema ao mesmo tempo. E, mesmo que ele nã seja um dos bons tem todo o direito de se expressar.
Jogando nós perdemos o nosso medo de exercer estas atividades consideradas “de elite”, prova que realmente qualquer zé mané como eu ou você é capaz de criar. Além disso, é muito difícil publicar um livro, ser diretor de cinema ou de qualquer outra forma dvulgar e socializar o que se cria. Todos estes meios de comunicação/entretenimento são extremamente competitivos e a sua probabilidade de realmente ser escolhido para dirigir a continuação de Matrix é bem remota. O RPG não só fornece os meios para que um cidadão comum como a gente se expresse, ele fornece os meios para que haja uma resposta imediata à criação, e uma forma absolutamente certa de socializar esta criação. Você cria, conta a sua história e os seus amigos lhe dizem na hora se é o próximo Senhor dos Anéis ou só lixo. O RPG, então, pode ser considerado uma nova mídia, um novo veículo de comunicação.É provavelmente a mídia de mais fácil e rápido acesso que já foi criada (superando até mesmo a internet) e uma das mais interativas.
E além de tudo isso, não vamos esqucer que o RPG par muita gente é trabalho, terapia ou fuga da realidade. Você já deve estar careca de saber que existem psicólogos e professores usando o roleplay como auxílio para seus pacientes/alunos e várias outras profissões que utilizam-no como treinamento, simulação de situações que ocorrem na rotina de trabalho e ferramenta para promover a união entre colegas. Para quem usa o RPG dessa maneira, o “jogo”é sério,é trabalho, é tão importante quanto qualquer outra atividade da profissão.
E, se para alguns psicólogos RPG é trabalho, para os seus pacientes é terapia. Pode-se conhecer mais sobre si mesmo através de um personagem ou situações fictícias, e o jogo pode ajudar nos problemas de cada um. Mesmo fora do consultório, é inegável que para muitos interpretar ajuda a vencer a timidez, adquirir autoconfiança ou simplesmente fazer amigos. Para quem deve ao RPG uma mudança significativa em sua vida, o jogo não é um simples jogo. O jogo como fuga da realidade também não precisa necessariamente ter uma conotação negativa.
No mundo de hoje em dia, é cada vez mais difícil para uma pessoa comum ser notada no meio da multidão, fazer a diferença nas vidas de outros ou realizar os seus sonhos e sentimentos. Nós vivemos numa época de massificação onde muitas vezes somos impelidos a atividades ou vidas que não desejamos. Para realizar os sonhos impossíveis na vida real, existe o RPG. Ser um herói, mesmo que num mundo de fantasia que só existe na sua cabeça e na de meia dúzia de amigos pode ser importante ou necessário para alguns. Além disso, experimentar emoções e sentimentos fortes pode ser possivel somente através da ficção. Tais emoções são necessárias, e o RPG pode ser um meio de provocá-las mesmo com um cotidiano maçante e exaustivo (e sem arriscar a vida). E sejamos francos: depois de certos dias no trabalho ou na faculdade, o que você quer mesmo é arrancar cabeça de alguns orcs ou aldeões só para desestressar…
…onde nenhum roleplayer jamais esteve!
Por fim, a minha opinião: RPG para mim é arte. Juntando a arte da prosa, da atuação, da tradição oral de se contar histórias, você só pode ter outro tipo de arte.
Deixou de ser só um passatempo, só um jogo, já se tornou algo com tanto potencial para expressar sentimentos e idéias quanto as artes “maiores”. Portanto, se história em quadrinhos for mesmo a nona arte, então acho que já podemos ter uma décima…
Bem, RPG é um jogo de imaginação, sim, e tudo aquilo que você já leu mil vezes. Mas pode ser bem mais para cada um. Pode ser uma das coisas mais importantes na vida de algumas pessoas. E para você, o que é RPG?
Leonel Dorkboy
Opinião pessoal:
Eu, Otaguro, que trancrevi o texto concordo com a maioria das coisas escritas acima.A pensar de forma macro, o entretenimento é o segmento do futuro, como podemos ver na proliferação de programas voltados ao entretenimento na TV, sendo o RPG também uma forma de entretenimento, os roleplayers já estão nesse mercado promissor a muito tempo.
Considerar o RPG um estilo de vida é a afirmação mais próxima da verdade ou do sentimeno geral que os roleplayers como um todo sentem.
O RPG é o ganha-pão e a terapia de muita gente, portanto, antes de dizer que isso não vai levar a lugar algum para seu filho, pense que com o incentivo na direção certa ele/ela poderá se tornar um excelente terapeuta, ainda mais nesse mundo cada vez mais exigente, opressor e estressante.
Para mim o RPG é sim um estilo de vida, parte dele está em minha profissão e acredito que se não fosse por causa do RPG, eu não teria ido tão longe diante do obstaculos opressivos, estressantes e depressivos que a vida coloca diante de nós.
Viva o RPG!Vida longa ao RPG!
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- Published:
- março 5, 2010 / 2:40
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